Sem as palavras que se escondem por detrás da janela, conto o que os antigos chamaram segundos e minutos, essas magias onde o ponto final permanece oculto e perigoso. Hoje, sem sequer entender o que significa, sinto-me alheado dessa amante infiel que é o tempo. Já a copulei sem vontade ou então, ofereci-lhe a sedução em tons que nunca tinha experimentado. Já lhe peguei na mão e a conduzi pelos dedos, em redor dos altares e incensos da minha expressão. Já a violentei. E na sua vingança, senti o sangue ausente de sabor. Ainda tenho um fio de voz para lhe sussurrar tréguas. Mas prefiro gritar. Urrar como besta ferida e ultrajar-me, ver-me desonrado e disforme. Escolho a ignomínia à sujeição. O tempo pode prender-me, mas nunca me levará preso.
19.6.09
As palmeiras que não sei plantar
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